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Experimentos com aquarela

1 Mar

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Quando o Loretto quer me convencer a deixá-lo fazer bagunça, usa um argumento irrefutável: “Como eu vou aprender se eu não experimentar?”. Até é possível dizer que a experiência também pode ser transmitida nos livros ou… pela vivência dos mais velhos, permitindo-nos saber antes que certas coisas não valem a pena. Mas eu acho que vou deixar para argumentar assim mais para frente, quando ele quiser fazer coisas radicais, como…sei lá, passar a noite em claro estudando logarítmos ou raiz cúbica.

Nesta semana, ele já me avisara com antecedência que queria fazer uns testes com aquarela. Previ muita sujeira. De modos que ele foi fazer seus testes na varandinha. E o teste era assim: pintar um quadro com pouca água e muita tinta, pintar um outro quadro com metade de água e metade de tinta, e um terceiro quadro com quase nada de tinta, mas muitíssima água. Ele não colocou nome em nenhum deles, mas me dedicou o mais aguadinho. Um pouco do elemento fluido para sua mãe tão concreta.

O quadro lá de cima é o quase sem água e, abaixo, vemos o meio a meio e o aguadíssimo respectivamente.

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Mira Schendel e o quadro que grita

26 Jan

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Loretto participou da atividade infantil do Instituto Moreira Salles, em Higienópolis. Viu as obras, olhou de pertinho com lupa, examinou os materiais, ouviu sobre a artista (e deu muitas opiniões como é seu estilo). Ao final, ganhou material para produzir sua própria tela. A vó Isaura, que o acompanhou, ficava pensando assim: “Por que ele não faz um quadro certinho como das outras crianças?”. Com quadro certinho, ela queria dizer algo mais literal, uma figura qualquer. Não. O quadro do Loretto saiu cheio de materiais àsperos.

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Eu acho que Loretto quis diz algo com esse quadro. A imagem cheia de pontas de palitos quebrados, pedaços de carpete e juta rasgados, tiras de papel alumínio, segundo ele, chama-se Napoleanos. Ele não gosta de explicar os nomes das obras, então, fiquei tentando decifrar isso. Eu já contei para ela a história de Napoleão (de como o baixinho foi invadindo e conquistando toda a Europa). Acho que o quadro é isso, meio bélico, meio invasivo. Minha mãe talvez não tenha gostado tanto, mas eu acho que a Mira Schendel iria gostar.

Napoleanos
Um monte de coisas sobre tela

Contra câncer de próstata coma salada…

7 Dez

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“A Isabela da escolinha não gosta de salada. Eu já falei para ela que, se ela não comer salada, vai acabar tendo câncer de próstata”. O Loretto disse isso no jantar, ontem à noite. Engasguei com um tomate de tanto rir. Depois, expliquei que meninas não têm próstata, só os meninos. “Ichi, então, amanhã tenho que avisar o Vinícius…”.

Em homenagem a esse nosso diálogo de saúde pública, Loretto pintou um prato de salada com aquarela, que você vê acima, e ofereceu para a professora hoje de manhã.

Prato de salada com beterraba, folhas e tomates
Aquarela sobre papel de rascunho

Pássaro com torcicolo

27 Out

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Ontem estive na Kalunga. Loretto precisava de material de trabalho… Comprei tinta acrílica, tinta guache e, pela primeira vez, pastilhas para aquarela. Vovô Osvaldo, que estava em casa, ajudou a mostrar como esse tipo de tinta aguada funciona, enquanto a vovó Isaura grelhava umas costelinhas de Tambaqui. Loretto curte cores fortes, traços carregados de cor, gosta da pincelada impressa em camada grossa de tinta. Mas até que se divertiu com a delicadeza aquarelada. Depois de alguns testes, ele fez concluiu sua primeira obra em aquarela: o pássaro com pescoço torto.

Pássaro com pescoço torto
Aquareloa sobre cartolina de rascunho
31 x 22 cm

Cobra fugindo da mata pegando fogo

20 Set

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Queimada é assunto para o Loretto. Não a queimada que se joga com bola. Mas queimada de mata, de floresta, de canavial, sim, é assunto. Deve ser tema de aula na escolinha, é conversa constante em Sertãozinho, pólo de açúcar e álcool e terra dos avós, e também foi papo lá em Itu, no final de semana dos Varvitos. É que a casa de Itu, da Vanessa, fica bem em frente à serra e, no dia em que lá estivemos, o pai dela nos aterrorizou com as histórias de queimada do local. “Imagina chegar e ver tudo isso pegando fogo?”, disse-nos (meio de propósito para a gente se espantar). A gente imaginou, mas o Loretto foi além. Ele reproduziu nossa imaginação num quadro que quase grita.

Cobra fugindo da floresta pegando fogo
Tinta guache sobre papel de rascunho

Peixe sem máscara e o barbudinho Luiz Tatit

19 Set

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Volta e meia escolho um DVD para deixar em destaque na prateleira. O Luiz Tatit está aí já há algum tempo. O Loretto gosta mais do Paulo Tatit, do Palavra Cantada, claro, mas achou que a obra “Peixe sem máscara” combinou bem com o barbudinho. Por que Peixe sem Máscara? Loretto não explicou. Sua intenção nem era fazer um peixe, mas quando ele dobrou a folha, a tinta fresca fez o papel colar, rasurar e o resultado final parece mesmo um peixe. Ficou tão legal que substituiu o “Enigma de um dia” do De Chirico na moldurinha comprada na Tok&Stok. Abaixo tem uma outra foto do quadro, sem moldura, bem de pertinho para revelar sua textura.

Peixe sem moldura
Tinta guache sobre folha de apostila velha

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Hoje eu preciso pintar na tela

16 Set

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Ontem, o Loretto pediu tela e tinta. Ele disse que não queria só fazer desenho – ele precisava pintar na tela de verdade, com tinta. Era de noite, então, eu disse que não dava porque eu ainda tinha um monte de coisas para fazer e não ia poder preparar a área para ele. Mas o Maurício, incansável, separou a tinta, forrou o chão com papelão e deixou o artista no quarto do fundo, pintando. Meia hora depois, entrei no quarto e a primeira coisa que eu vi foi um pingo de tinta no tapete onde Loretto estava sentado. Fiquei brava – principalmente porque ele estava usando tinta para tecido… Mas quando o Loretto me mostou a tela, uau, esqueci o tapete. Achei o quadro tão lindo, com tão boa escolha de cores, com transparência, com emoção… Que sorte que o Maurício permitiu a existência de tão linda obra…

Sem nome
Tinta de tecido sobre tela
30 x 24 cm
Não está à venda (porque esse é da série “vai ficar caro quando Loretto ficar famoso”)