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Questão de pele de cobra, de aranha e de bicho-pau

19 Nov

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Essa era, ou quem sabe ainda é, uma cobra siciliana. Largou sua pele de serpente para crescer e continuar passeando por Avola. Loretto estava na garupa da minha bicicleta e viu, sob um montoado de folhas secas, um pedacinho da pele. “Para, para a bicicleta!”. Desceu correndo e pegou. Era gigante, estava quase intacta. Uau! Incrível! Daí, guardamos em uma garrafa plástics vazia para não estragar na bagagem. Amassou um pouco, rasgou outro pouco, mas deu para trazer quase completa e colocar neste porta-retrato. Volta e meia, Loretto abre para brincar com ela. A cobra deve estar por lá ainda, largando a pele para outros meninos curiosos pegarem.

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A história dessa aranha é linda demais e só está no começo. O Lanfranco Tronconi a criou por quinze anos e essa pele aí é de quando ela tinha 10 anos. O Lanfranco guardou, guardou, guardou, guardou a pele por muito tempo. Hoje ele é biólogo e trabalha no Instituto Butantã. E é pai da Isabelinha, que estudava com o Loretto até 2011. Quando o Loretto soube que o pai da Isabelinha era biólogo e, ainda por cima, trabalhava no Butantã, queria encontrar com ele em todas as festas para mostrar seus livros, seus besouros… Um dia, o Lanfranco deu a pele da aranha para o Loretto, que a guarda como se fosse um tesouro na caixinha de acrílico. E prometeu guardar para sempre e só dar para alguém quando ficar muito muito muuito velhinho e, ainda assim, só se esse outro alguém gostar de bicho tanto ou mais do que ele.

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A gente já sabia que o Bicho-pau ia soltar a pele. Mas no dia em que aconteceu, nossa… foi demais! Acordamos e, como de costume, fomos lá dar uma olhadinha nos casais de bicho-pau. A pele estava lá, em pé, transparente, como se fosse um bicho-pau fantasma. Era tão impressionante. Era a pele de uma das fêmeas. Ela parecia remoçada, mais clara, mais feliz sem a pele velha. Saiu tudo, até a antena. O Loretto tirou a pele da gaiola e a gente decidiu mandar emoldurar. Com o vidro ela ficou assim, plana. Quando houver nova troca de pele de bicho-pau por aqui, eu fotografo ela antes de colocar no vidro. O Emiliano, biólogo da USP que presenteou o Loretto com os insetos, disse que outras peles sairão. Eba!

E a gente fica pensando: será que dói quando as peles das cobras, aranhas e bicho-pau saem? O que será que eles sentem? Será que a primeira troca de pele é igual a queda do primeiro dente de leite? Tudo questão de pele…

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Morcego Borboleta, o bicho flex!

11 Out

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A proposta foi a seguinte: inventar um desenho que pudesse ser transformado em bicho de pano. Sabemos que Loretto não curte encomendas (como vimos na criação Bosta de Vaca com Larvas), mas três amigos diferentes haviam enviado o link da promoção da loja Bebê Básico (que fará justamente isso: transformar um desenho num brinquedo de verdade) e eu resolvi mostrar para o Loretto. Ele olhou o ursinho verde no site da promoção, pediu para eu ler o que estava escrito e falou: “Pode deixar, eu faço rapidinho”. Voltou em um minuto com o Morcego Borboleta e explicou: “Se eles fizerem esse boneco, eles podem dar para meninos ou para meninas porque menino gosta de morcego e menina gosta de borboleta.” Então, eu quis saber se ele ia pintar. E ele respondeu que não porque isso vai depender do pano que eles vão ter na hora para fazer o brinquedo… O resultado do concurso só sai dia 31 de outubro, mas acho que vai dar para ver outras maluquices inventadas pelas crianças na fanpage da loja Bebê Básico no Facebook.

Morcego Borboleta
Caneta hidrográfica sobre papel de rascunho

Natureza viva morta

9 Out

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Enquanto Maurício ia a padaria, Loretto ficou caminhando pelo condomínio e coletando folhas secas. O que ele queria era juntar achados de natureza morta daqui como os achados de natureza morta do Paraná, trazidos pelo pai do Parque do Guartelá, Tibagi (Maurício esteve por lá de quinta a sábado). O pai havia colocado na mala um pouco de barba de velho (Tillandsia usneóides), três ramos de trigo, uma casca de árvore e um besouro verde brilhante (foto abaixo).

Logo após o desjejum, Loretto e Maurício juntaram duas folha grandes de papel e desceram para a área da churrasqueira com cola e badulaques. Loretto voltou com esse quadro grande (84 x 49 cm) e estava radiante porque encontrou uma largatixa morta (foto abaixo) que uniu ao conjunto. Batizou de Natureza Viva Morta. Quando secar direitinho, ele disse que vai pendurar a Natureza Viva Morta na porta do apartamento para apreciação pública.

Natureza Viva Morta
Colagem de folhas secas, barba de velho, pedras, casca de árvore, besouro, largatixa sobre folha de calendário velho

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A Joaninha Ciclope

28 Set

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Mitologia grega foi o tema da festa de 4 anos do Loretto. Tinha uma pinhata* de Medusa e o convite era uma historinha em 10 capítulos de como o Loretto venceu o Ciclope, o Cérbero, o Minotauro e a Medusa. Então, esse universo já é bem familiar lá em casa. Na colagem acima, feita com restos de uma caixa de papelão azul, o Loretto uniu seus conhecimentos de mitologia com seus conhecimentos de entomologia e criou uma Joaninha Ciclope, com um olho só, bem no meio da testa. Emoldurei num fundo branco, mas não fotografei ainda. Depois, eu mostro como ficou.

*Pinhata é um objeto – pode ser uma panela, uma caixa, uma moringa ou…uma medusa feita de papelão… – cheia de doces e que as crianças quebram com pauladas. Em algumas festas, quem bate na medusa está vendado. Nas festas do Loretto, não. Mas, para evitar acidentes, cada criança tem a sua vez de bater.

Joaninha Ciclope
Colagem com papelão de caixa velha

Nasceu!

9 Jul

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Em cada folha havia uma lagarta, já fechada em casulo de teias emaranhadas. Loretto as tirou de uma planta no jardim de nosso condomínio. Todas foram colocadas no seu insetário (uma caixa de acrílico com tampa furadinha, presente do vovô Osvaldo). Durante vinte dias, ficaram ali, e, considerando outras experiências e observações realizadas anteriormente, o Loretto já supunha que nada mais nasceria dali. No entanto, hoje pela manhã, uma mariposa de asas laranjas surgiu bem linda. Nunca tínhamos visto uma dessas. E você? Se você é biólogo e conhece a espécie, envie-nos o nome.

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