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Um quadro místico

4 Set
O círculo esotérico aparece pela terceira vez em um quadro do Loretto

O círculo esotérico aparece pela terceira vez em um quadro do Loretto

Mais de um ano depois de ter feito o quadro que me deu de aniversário (leia o post de maio de 2012), Loretto volta a fazer o círculo colorido, com pingo grosso de tinta no meio. Comecei a achar esse círculo meio místico. Ele sozinho já me causava uma certa impressão. No quadro acima, ele vem acompanhado de outros símbolos esotéricos, quase tribais. Quando o quadro ficou pronto, o seu nome também me chamou a atenção: Rio Preto. Loretto nunca explica o nome de seus quadros. E, neste caso, eu falei que achava que algumas das pinceladas me lembravam algo tribal. Ele parou, olhou o quadro… e disse: “Vou mudar o nome. Ele vai chamar Ritual na beira do Rio Preto”.  Pensando em uma carreira de futuro, pensei em dar uns livros do Paulo Coelho para ele ler…

 

Um detalhe do círculo. Mistura de cores, muita tinta e um pingo farto no centro.

Um detalhe do círculo. Mistura de cores, muita tinta e um pingo farto no centro.

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Isso é um útero!

4 Mar

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Nesta semana, Loretto pintou três quadros. Eles estavam secando na varanda quando eu cheguei. Gostei do amarelinho (na foto aí de cima), o menor de todos, mas não consegui de imediato entender o que a imagem tinha causado em mim. Hoje, pela manhã, resolvi perguntar se os quadros tinham nome, se representavam algo. De maneira geral, o Loretto não tem tido muita paciência para explicar o que e como pintou, não. Então já podia esperar uma resposta tão breve quanto a que realmente veio: “Isso é uma coisa dentro da outra”. Tava explicado: no meu subconsciente, foi exatamente o que eu vi – um útero dentro de uma barriga. “Loretto, será que é um útero?”. Ele respondeu: “Se você quiser, é”

É fato. Se a gente quiser é… E eu não estou falando de força de vontade transformadora, não. Estou apenas pensando como a realidade é construída pelo nosso jeito de ver e pensar o mundo. Eu vi um útero porque a maternidade é um assunto que me interessa, penso muito e falo sobre parto, tive um parto natural que me trouxe bem mais perto de mim mesma. Se eu fosse arqueóloga, veria um ovo de dinossauro. Se eu fosse ufologista, veria um disco voador. Ou um cocô de ET, sei lá. Lembro-me de ter mostrado a um cirurgião hepático o post Pena de Flamingo, e ele comentou: “Nossa! Parece uma lâmina de estudo de biópsia de fígado…”.

Então, o que tenho falado para o Loretto é justamente isso (e a arte ajuda a explicar): 1) não importa o que você diga ou faça, o outro entende a partir do que ele quer entender (além, é claro, do repertório sobre o qual está focado); 2) isso vale para você também. Portanto o grande desafio da sua vida deve ser agregar mais visões sobre a sua própria visão e assim conseguir ver a mesma coisa de muitos jeitos.

No mínimo, no mínimo, Loretto está crescendo com menos preconceitos e verdades absolutas do que eu cresci. Só de ele deixar que as pessoas dêem à sua obra a interpretação que quiserem e que vejam útero onde só tinha uma coisa dentro da outra, eu já acho bem louvável…

Um quadro inspirado na África

21 Set

Não adianta tentar ver um deserto aí. Nem uma savana. Nem uma floresta tropical. Ou talvez você veja tudo isso. O Loretto não explicou o que pintaria quando disse que estava pensando em fazer um quadro inspirado na África. Ele pediu tons de amarelo, mas quis também todas as outras cores. Me chamou para ver e já sabia que eu tinha gostado, só pelo meu jeito de olhar. Já está na minha parede… Acho surpreendente que ele continue na abstração quando pinta. Neste blog, vamos poder acompanhar a evolução de suas pinceladas…

Se o pai do Loretto fosse restaurador de quadros…

2 Set

Um dos primeiros quadros do Loretto… a mão esconde uma intervenção artística do Maurício…

Com a mão sobre o quadro, o Loretto tenta esconder uma certa intervenção que o Maurício fez em um de seus quadros. Isso foi há muito, muito, muito tempo. Bem antes do surgimento deste blog. O Loretto tinha uns três anos, acho. E pintou uma tela – muito verde, muita mistura e já as suas pinceladas caóticas e fortes. Nós gostamos do quadro, ficamos intrigados em saber por que motivo ele não tinha tentado fazer algo mais figurativo, menos abstrato. Ele já desenhava pessoas, por exemplo, com cabeça, tronco e membros.  Daí, o Maurício pensou em fazer uma intervenção na obra para mostrar essa possibilidade para o Loretto. E fez o que você vê abaixo…

O curupira foi o Maurício que fez…

O Loretto deu um escândalo. E a gente deixou o quadro escondido por um tempo. Agora, com a história da restauração do quadro de Jesus, lembramos do assunto. Mostrei os quadros de Jesus antes e depois para o Loretto. E gostei da observação dele: “O antes estava melhor, mas até que o que ela fez não ficou tão ruim…”. O mesmo, no entanto, ele não diz do antes e depois do seu próprio quadro…

Em tempo, em defesa do Maurício, digo: a intenção foi das melhores (como da velhinha). E, se o Maurício não tem lá dotes artísticos, é, outrossim, exímio patinador, escalador de árvores, corre tão rápido quanto o vento, tem o melhor paladar para vinhos… E é muito divertido. Mesmo quando nem tem a intenção de ser…

O quadro restaurado de Cristo. Loretto achou que o resultado final não ficou de todo mal…

Uma experiência sobre a autoestima

2 Set

Não tem nome. Foi um quadro meio experimental, um teste de novas técnicas.

Dia desses Loretto quis pintar. Misturou um tanto de tinta, mexeu para cá, mexeu para lá, e alguns minutos depois me mostrou o quadro. Eu olhei, olhei… Hum… O que será que eu deveria dizer? Eu não tinha amado o quadro. Mas o que diriam os psicólogos? Elogie sempre? Nunca elogie? Elogie só mais ou menos? Ou como tenho feito aqui no meu trabalho, diga “Me mostre só quando estiver pronto”? Resolvi ser sincera: “Não sei, Loretto, ficou legal, mas não é o meu preferido, acho que você já pintou melhores”. Silêncio. Ele olhou o quadro, levantou o quadro, continuou olhando. E, finalmente, falou: “Ah, eu gostei!”. Ufa…autoestima bem construída.

Dois dias depois, uma amiga, a Roberta Buffone, que é também a pneumologista dele (pois é, apesar do que já escrevi sobre os médicos, tenho uma porção de amigos queridos médicos…), fez aniversário. Naquele mesmo final de semana, ela nos visitou e disse que gostaria de ganhar um quadro do Loretto. “Bem”, falou o Loretto, “eu pintei um que a minha mãe não gostou então vou dar para você”. E deu, todo contente porque a Roberta demonstrou ter gostado. Foi uma ação prática do famoso “Não quer? Tem quem queira!”, coisa que muito adulto envelhece e não aprende.

Um abstrato que se chama casca de tatu viva

13 Maio

20120513-174213.jpgChama-se casa de tatu viva. E tem uma proposta: uso de um único tom com nuances de branco. Loretto não falou nuances, mas citou a palavra mesclar. Agora, por que tem esse nome? A resposta foi uma outra pergunta: “mas por que nome de quadro tem que ter por que?

Presentes inesquecíveis de aniversário

2 Maio

Vimos De Chirico no Masp, neste final de semana. Eu gosto muito do De Chirico – sobretudo do quadro “Enigma de uma tarde” que tem no MAC da USP. Contei para o Loretto que me encanta o verde do céu daquela praça (que se repete em várias telas do artista). A sombra rasteira me faz crer que esse é uma paisagem de outono às 16h, bem perto do horário em que eu nasci. Ao sair da exposição, o Loretto me perguntou se eu gostaria de ganhar um quadro de aniversário. Eu aniversario daqui uma semana. Em casa, pediu tela e suas tintas. Sentou no chão do quarto, solicitou gentilmente que eu saísse. Alguns minutos mais tarde, me chamou. Eu fiquei emocionada ao ver a obra que ele tinha acabado de pintar. Não tinha nome, segundo ele, mas era o meu presente de aniversário. Eu sei que toda mãe é mezzo judia mezzo italiana quando fala de seu filho. Eu sei que todo filho menino tem um Édipo dentro de si. Mas, faça de conta que eu não sou a mãe do Loretto e olhe esse quadro nos detalhes (que copio abaixo para não deixar dúvidas). Esse quadro é bom. Tem nuance de cores, tem textura, tem vida… É um quadro para o meu aniversário. “Enigma de uma tarde” foi durante muito tempo o meu quadro preferido. Perdeu lugar para este quadro do Loretto, feito numa tarde de outono, para mim.