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Loretto não assiste à novela Tic Tac…

7 Dez
Tá aí uma coisa que Loretto não assiste...

Tá aí uma coisa que Loretto não assiste…

Hoje teve festa de aniversário de um amigo bem querido do Loretto. Foi muito legal – o tema era Minecraft. Mas o que estava realmente lotando as memórias dos Iphones eram três atores-mirim de novela, primos do aniversariante. Mães pescavam o trio para vários cliques, entre uma brincadeira e outra. Na saída da festa, perguntei para o Loretto se ele já tinha visto aquelas crianças na TV. Ele disse: “Não… parece que eles são de uma novela que chama Tic Tac…”.

Eram da Chiquititas. Segundo o Google, interpretam “Thiago, Tati e Ana”. Isso me fez lembrar do dia em que o Loretto perguntou o que era o Caldeirão do Hulk.

Pensei: “Talvez devêssemos ver um pouco de TV aberta”.

O fato é que nunca proibimos TV aberta. Mas Loretto e Arrigo não se interessam pelo que a TV aberta traz. Loretto, por exemplo, passa horas vendo Animal Planet e documentários sobre II Guerra Mundial (e, nesta semana, me disse que assistiu ao filme “Passageiro 57” inteirinho… Descobri que é um filme de 1992 sobre um homem que combate terroristas…Sei lá em que canal foi isso…).

Daí, depois da festa, voltando à pé pela nossa rua, Loretto olha uma casa e pergunta: “O que será que funciona ali?”. Tinha uma placa com um poliedro 3D em que se lia Vector Equilibrium. Atravessamos a rua para olhar. Duas pessoas nos apresentaram o espaço, onde parece acontecer inúmeras atividades holísticas (entre elas, sessões em Flutuarium – um tanque fechado com água salgada que simula a sensação que um bebê tem no útero…). Loretto reconheceu a ‘rede de apanhar sonhos’ pendurada num canto (foto abaixo), brincou com o diapasão, curtiu o torus, o vector equilibrium em si e outros objetos que pareciam saídos de uma feira de ciências… Quando nos despedimos, ele soltou um: “Que lugar legal, mãe…vamos voltar aí qualquer dia…”.

Pensei: “Talvez seja tarde para começar a ver TV aberta…”.

O mundo é um grande roteiro de novela Tic Tac. Mas o Loretto, definitivamente, nasceu sintonizado em outro canal.

O Loretto adora essa rede de apanhar sonhos

O Loretto adora essa rede de apanhar sonhos

 

Esse é o Vector Equilibrium...

Esse é o Vector Equilibrium…

O Torus é uma estrutura metálica que abre e fecha.

O Torus é uma estrutura metálica que abre e fecha.

Uma rua em San Telmo e um papo de artistas

3 Maio

 

Desenho do artista Miguel Angel Biazzi, autografado para o Loretto. "con cariño".

Desenho do artista Miguel Angel Biazzi, autografado para o Loretto. “con cariño”.

Era um dia de muito calor em Buenos Aires. Muito calor mesmo. Muito! Pegamos um ônibus com os meninos e descemos sem planos em San Telmo. Já era tarde, queríamos comer alguma coisa. Então, entramos na rua Defensa – pois, dali, nosso plano era seguir à pé até a Casa Rosada. Numa das calçadas, Loretto estancou na frente de uma vitrine.

Era um ateliê com obras que hipnotizaram o Loretto. Quadros que misturavam tintas e garfos, esculturas com parafusos, sementes, folhas… A porta estava fechada e, para entrar, tinha que tocar a campainha. Eu pensei: ” Ichi, estou com fome, se a gente entrar, vai ter que comprar alguma coisa, vai sair tarde, vou ter que conversar, o Arrigo vai catar tudo…”, mas antes que eu desse o comando de bater em retirada, o Loretto já tinha tocado a campainha e já estava sendo atendido por uma senhora. O artista estava lá dentro. E era um senhor extremamente simpático.

Miguel Angel Biazzi e Loretto trocaram frases em portunhol. Loretto queria saber de onde ele tirava aquelas pedras, queria saber como ele grudava os parafusos, queria saber se ele também tinha obras feitas de osso. Queria saber coisas que eu, em espanhol, não conseguia traduzir, mas que o sr. Biazzi entendia. Há uma linguagem entre as pessoas que se deixam tocar pela arte (assim como há uma linguagem entre as pessoas que gostam de vinho – Maurício que o diga – ou entre as pessoas que gostam de literatura – a única que entendo… e por aí vai…).

Sr. Biazzi escolheu um de seus desenhos, assinou e deu para o Loretto. Deu-lhe também uma pedra negra. E disse que, para dar sorte, basta soprar nela.

Gostei de Buenos Aires. Mas, agora, quase seis meses depois da viagem, o ateliê cheio de peças do Sr. Biazzi é a lembrança que persiste com mais contornos. Assim, claro, como o calor daquele dia.

Segundo o sr. Biazzi, para ter sorte, basta soprar essa pedra

Segundo o sr. Biazzi, para ter sorte, basta soprar essa pedra

Sr. Biazzi, na mesa em que bateu papo com o Loretto

Sr. Biazzi, na mesa em que bateu papo com o Loretto


Um pouco mais da obra de Miguel Angel Biazzi

Um pouco mais da obra de Miguel Angel Biazzi

No final da conversa, ele se despediu de Loretto com um até breve

No final da conversa, ele se despediu de Loretto com um até breve

Os escaravelhos do diabo

9 Dez
Os três besouros emoldurados. Um veio de Caraguatatuba, o outro da Argentina e o terceiro de Centenário do Sul

Os três besouros emoldurados. Um veio da Argentina, o outro de Centenário do Sul e o terceiro de Caraguatatuba

Loretto tem uma coleção de besouros emoldurados (foto acima). Talvez seja por isso que ele tenha se impressionado tanto com o livro O escaravelho do diabo, que acabamos de ler juntos. Eu tive que ler umas 20 páginas por dia do livro. E ele passava o tempo falando sobre a história para os amigos e esperando a hora de continuarmos a leitura. A partir de agora, se você é ruivo (como a Nádia Simonelli ou como a Luciana Andrade, nossas amigas), saiba: Loretto vai te olhar com olhos de…escaravelho.

Besouros é uma das suas paixões, junto com insetos de maneira geral. Quando descobriu (lá no Museu Planeta Inseto) que mesmo que ele vivesse 100 anos e visse um novo besouro a cada dia, não teria condições de ver todos, ficou maravilhado. Na coleção abaixo, vê-se três exemplares. Eu não sei os nomes. Ele sabe. Mas sei de onde vieram. O primeiro foi presente da América, manicure gente boa da Abril, e veio lá da Argentina (perto das cataratas do Iguaçu). O segundo ele encontrou no Paraná, Centenário do Sul. E o terceiro foi presente do tio Marcelo e veio lá de Caraguatatuba. Havia um outro, que veio de Sertãozinho e também foi emoldurado. Mas – e aqui vai um ensinamento – como nós não o havíamos deixado no álcool antes de emoldurá-lo, ele criou larvinhas…que se espalharam pelo fundo do quadro (e o Loretto tirou a moldura e jogou tudo fora…). Portanto, se pegar um besouro para dar ao Loretto, deixe-o no álcool…

Abaixo você vê também o desenho de besouro que o Loretto fez para a América em agradecimento ao escaravelho argentino.  

Besouro desenhado em troca de um besouro de verdade. De Loretto para América.

Besouro desenhado em troca de um besouro de verdade. De Loretto para América.

PS.: Estamos num momento Coleção Vagalume. Leia, se tiver tempo, o texto que fiz sobre O caso da borboleta Atíria no Blog Te Indico um Livro.

escaravelho do diabo

Esse é o livro que minha mãe comprou em 1983 para o meu irmão Marcelo ler. A capa, depois, mudou (tiraram o moço com revólver…porque não era politicamente correto.. Em tempo, se tiver tempo, leia o meu post sobre…as armas e as crianças).

 

Polêmica: armas de brinquedo, crianças, homens e mulheres

5 Dez

garruchinha

Cena 1:

Eu, desde que nasci até ontem, dizia: “Nunca, jamais vou comprar uma arma de brinquedo para o meu filho. Acho horrível estimular a violência com armas de brinquedo. Existem tantas coisas legais no mundo para se brincar. Nunca. Nunca. Nunca”.

Cena 2:

Quando o Loretto tinha 3 anos, dei uma letra L de EVA para ele. E disse: “Olha, Loretto, um L! É a letra do seu nome”. Ele empunhou o L, mirou um alvo imaginário e atirou… “Pá, pá, pá…”. Fiquei horrorizada. Como assim? A gente não assiste Datena. A gente não vê nada de violência. Como ele pega um L e transforma em um revólver? Como?!

Cena 3:

Loretto faz mil e um bonecos e invenções com fita crepe e tudo que é tipo de cacareco. Uma das suas criações preferidas é a garruchinha da foto abaixo (ela já está até surrada…de tanto uso).

arminha

Cena 4:

Loretto ganhou mês passado cinco Nerfs do meu sobrinho, o Enzo (que já está com 13 anos e passou dessa fase de revólveres e metralhadoras). Meu pai conta para o Loretto que quando era pequeno brincava com espingarda de chumbinho. O Maurício diz que também tinha uma espingarda de chumbinho (e que, certa vez, atirou no pé do irmão mais novo… o tio Nim). Eu penso: “Que horror!”.

Cena 5:

Em uma conversa com os coleguinhas do Loretto que fazem Sesc Curumim, descubro que muitos deles pediram Nerfs no Natal… Pergunto: “Por quê?”. E eles respondem: “Porque é muito legal…”. E eu penso que o mundo está perdido.

Cena 6:

Minha mãe se mostra preocupada. Ela, que assistiu muita Xênia da década de oitenta, gosta de explicar as coisas com a psicologia da TV Mulher: “Será que ele não está passando por alguma dificuldade e está compensando nas armas?”. Eu me preocupo: “Será?”. Meu pai, do outro lado da mesa, responde: “Que nada…” e emenda: “Loretto, com um tiro de chumbinho, eu matava umas quatro pombas…”.

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Daí que, nos últimos dias, essas observações me fizeram entender uma coisa: por mais que eu tenha sido uma menina de rua, quase um moleque, eu sou mulher. E mulheres têm uma visão fragmentada do mundo dos homens. Entendi que há uma fase em que muitos dos meninos gostam de armas (não todos, mas muitos deles). Eles não vão ser assassinos no futuro. Não vão entrar em um cinema e sair matando todo mundo porque tiveram uma Nerf quando eram pequenos. Eles gostam de armas, de espadas e de facas… É deles.  O Enzo, por exemplo, cresceu e doou as Nerfs para o primo. O Maurício e meu pai tinham espingardas de chumbinho e não se tornaram assassinos. Pronto. É isso. Eu ainda acho que há coisas mais legais para brincar. Mas entendo a questão de outro modo agora.

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Cena 7:

Passeei ontem com o Loretto. Fomos ao Museu Catavento, depois resolvemos ir à pé até a Liberdade, comer comida japonesa. Passamos pela 25 de março. O Loretto viu uma garrucha de pirata. Linda. De plástico, baratinha e linda.

Comprei para ele.

Cena 8:

No metrô:
– as mulheres olham com olhares reprovadores para mim e para o Loretto, que atira com sua garrucha em corsários invisíveis.
– os homens, todos e de qualquer idade, olham para o Loretto com um sorriso de canto de boca, quase uma vontade de pedir “me empresta essa garrucha um pouquinho”…

jack sparow

Fim.

Onde andar à cavalo em São Paulo?

11 Ago

Não se trata de cavalgar. Nem de aprender equitação. O que a gente queria era só que o Arrigo chegasse perto de algum cavalo e pudesse, eventualmente, subir numa sela. Então, fomos ao Jockey Club de São Paulo. (O Loretto nunca se encantou muito com cavalo, não. Mas, devido à paixão que o irmão pequeno nutre pelos equinos, o Loretto tem estudado o bicho também).

Primeiro, decidimos visitar o Jockey numa segunda-feira à noite. A gente viu algumas corridas e assistiu à vibração de velhinhos que apostam em todos os prêmios que lá acontecem. Daí, um dos funcionários nos disse que, aos sábados e domingos, é possível botar as crianças para montar em cavalos e pôneis. Então, no sábado seguinte, lá estávamos nós – pontualmente, às 14h30. Havia dois póneis – um branco e um preto – e um cavalão marrom. As crianças fazem fila, recebem um capacete de jóquei e dão duas voltas curtas, acompanhados dos instrutores. Pode-se andar quantas vezes a criança quiser e é gratuito. A entrada no Jockey também é gratuita. O estacionamento custa R$ 15, mas a gente parou o carro na rua mesmo. O Jockey Club de São Paulo fica na  Avenida Lineu de Paula Machado, 1263.

loretto andando a cavalo

Loretto analisando a sela

 

Arrigo checando se o pônei está de bom humor

Arrigo checando se o pônei está de bom humor

 

 

 

Como aliviar queimadura de taturana

25 Abr

TaturanaLoretto se queimou com uma taturana peluda. Sem querer, encostou em uma num corrimão no Jardim Botânico de São Paulo, domingo. Primeiro, ele deu um sonoro “aaaaiiii” (eu nunca me queimei com uma dessas, mas dizem que é uma dor bem forte), depois, ele jogou a bichinha no chão, pisou delicadamente até a barrigada sair, pegou aquela meleca e passou no ferimento… !!!!!

Fiquei chocada! Como assim? “De onde você tirou essa ideia, Loretto?”. Ele disse que viu alguma coisa assim em uma revista Recreio antiga que tinha na escola. Ele não se lembrava direito da matéria e é possível que a revista nem recomendasse isso de verdade (vi que várias pessoas, no interior, se cuidam assim, mas essa prática não é recomendada. O certo seria coletar a taturana e levar para o médico e passar gelo no local). Mas o Loretto reteve o processo, acreditou nele, achou que ele fazia todo sentido e procedeu conforme mandou sua intuição e o ardor do braço na hora. Deu certo, pois poucos minutos depois o vergão havia sumido.

Como ele é apaixonado pela revista National Geographic, fiquei pensando se ele buscava, na NatGeo, informações práticas sobre como lidar com ataques de tubarões, crocodilos, piranhas… Perguntei a respeito e ele me disse que sim: sempre é bom se prevenir. Como para mim taturana já seria aventura o suficiente, acho que vou começar a ler a Recreio…

Hervé Fischer: de graça até carimbo na testa

16 Mar

IMG_3749Loretto olhou carimbo por carimbo, escolheu o que dizia ORIGINAL e – ploft – carimbou a testa. Um grupo de adolescentes que estava na exposição ficou olhando para essa atitude bem doida, como se o Loretto fosse uma própria extensão das obras de Hervé Fischer. Não sei se o Hervé Fischer, filósofo, artista e contestador da arte, teria pensado neste uso quando criou o livro Arte e Comunicação Marginal. Os carimbos fazem parte de uma encomenda para vários artistas, propondo uma nova perspectiva coletiva, participativa, digamos “reproduzível” da arte. E estavam todos em um mesa, no MAC da USP, na exposição que vai até 28 de julho de 2013. Todo mundo pode carimbar a mesa. E o Loretto carimbou o corpo todo: começou pela testa e foi até o pé.

O mais significativo para mim não foi ter o menino todo carimbado, como um tatuado mirim. Isso era até previsível. O legal, de verdade, foi uma das adolescentes ter feito a mesma coisa na sequência. Vendo o Loretto carimbado na testa, ela se empolgou, pegou o mesmo carimbo e – ploft – fez igual. Já não era original, mas, ao mesmo tempo, foi.

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A simpática Natália que estava no MAC com os amigos justamente pesquisando o que é a arte e para que ela serve

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Um registro do Loretto para e sobre a obra de Hervé Fischer

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Arte? Loretto já carrega o questionamento na pele

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A arte é urgente. E, ao mesmo tempo, não tem pressa.