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Os escaravelhos do diabo

9 Dez
Os três besouros emoldurados. Um veio de Caraguatatuba, o outro da Argentina e o terceiro de Centenário do Sul

Os três besouros emoldurados. Um veio da Argentina, o outro de Centenário do Sul e o terceiro de Caraguatatuba

Loretto tem uma coleção de besouros emoldurados (foto acima). Talvez seja por isso que ele tenha se impressionado tanto com o livro O escaravelho do diabo, que acabamos de ler juntos. Eu tive que ler umas 20 páginas por dia do livro. E ele passava o tempo falando sobre a história para os amigos e esperando a hora de continuarmos a leitura. A partir de agora, se você é ruivo (como a Nádia Simonelli ou como a Luciana Andrade, nossas amigas), saiba: Loretto vai te olhar com olhos de…escaravelho.

Besouros é uma das suas paixões, junto com insetos de maneira geral. Quando descobriu (lá no Museu Planeta Inseto) que mesmo que ele vivesse 100 anos e visse um novo besouro a cada dia, não teria condições de ver todos, ficou maravilhado. Na coleção abaixo, vê-se três exemplares. Eu não sei os nomes. Ele sabe. Mas sei de onde vieram. O primeiro foi presente da América, manicure gente boa da Abril, e veio lá da Argentina (perto das cataratas do Iguaçu). O segundo ele encontrou no Paraná, Centenário do Sul. E o terceiro foi presente do tio Marcelo e veio lá de Caraguatatuba. Havia um outro, que veio de Sertãozinho e também foi emoldurado. Mas – e aqui vai um ensinamento – como nós não o havíamos deixado no álcool antes de emoldurá-lo, ele criou larvinhas…que se espalharam pelo fundo do quadro (e o Loretto tirou a moldura e jogou tudo fora…). Portanto, se pegar um besouro para dar ao Loretto, deixe-o no álcool…

Abaixo você vê também o desenho de besouro que o Loretto fez para a América em agradecimento ao escaravelho argentino.  

Besouro desenhado em troca de um besouro de verdade. De Loretto para América.

Besouro desenhado em troca de um besouro de verdade. De Loretto para América.

PS.: Estamos num momento Coleção Vagalume. Leia, se tiver tempo, o texto que fiz sobre O caso da borboleta Atíria no Blog Te Indico um Livro.

escaravelho do diabo

Esse é o livro que minha mãe comprou em 1983 para o meu irmão Marcelo ler. A capa, depois, mudou (tiraram o moço com revólver…porque não era politicamente correto.. Em tempo, se tiver tempo, leia o meu post sobre…as armas e as crianças).

 

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Como aliviar queimadura de taturana

25 Abr

TaturanaLoretto se queimou com uma taturana peluda. Sem querer, encostou em uma num corrimão no Jardim Botânico de São Paulo, domingo. Primeiro, ele deu um sonoro “aaaaiiii” (eu nunca me queimei com uma dessas, mas dizem que é uma dor bem forte), depois, ele jogou a bichinha no chão, pisou delicadamente até a barrigada sair, pegou aquela meleca e passou no ferimento… !!!!!

Fiquei chocada! Como assim? “De onde você tirou essa ideia, Loretto?”. Ele disse que viu alguma coisa assim em uma revista Recreio antiga que tinha na escola. Ele não se lembrava direito da matéria e é possível que a revista nem recomendasse isso de verdade (vi que várias pessoas, no interior, se cuidam assim, mas essa prática não é recomendada. O certo seria coletar a taturana e levar para o médico e passar gelo no local). Mas o Loretto reteve o processo, acreditou nele, achou que ele fazia todo sentido e procedeu conforme mandou sua intuição e o ardor do braço na hora. Deu certo, pois poucos minutos depois o vergão havia sumido.

Como ele é apaixonado pela revista National Geographic, fiquei pensando se ele buscava, na NatGeo, informações práticas sobre como lidar com ataques de tubarões, crocodilos, piranhas… Perguntei a respeito e ele me disse que sim: sempre é bom se prevenir. Como para mim taturana já seria aventura o suficiente, acho que vou começar a ler a Recreio…

Nasceu um bicho-pau! Nasceu! Nasceu!

29 Mar
Nasceu e já está curtindo uma folha de goiabeira

Nasceu e já está curtindo uma folha de goiabeira

Desde setembro de 2012, quando os dois casais de bicho-pau chegaram, passaram-se já quase sete meses. E as fêmeas, que já vieram adultas, botavam dois ovos por dia desde o primeiro dia. Fui separando, separando, colocando no algodão, borrifando água, mas nada de eles nascerem. Mais de 300 ovos. Emiliano, biólogo que nos deu os insetos, falou que devíamos ter paciência – pois podia demorar muito, nem todos os ovos eclodiriam e muitos filhotes morreriam assim que nascessem. Tivemos paciência e esperança. De repente, três filhotinhos. Dois morreram. Um está firme e forte. Acho que é fêmea. Estamos tão felizes! Que venha a Páscoa e que muitos e muitos ovos brotem com bicho-pau – para nossa alegriaaaa!

Loretto observa o filhotinho de bicho-pau

Loretto observa o filhotinho de bicho-pau

Questão de pele de cobra, de aranha e de bicho-pau

19 Nov

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Essa era, ou quem sabe ainda é, uma cobra siciliana. Largou sua pele de serpente para crescer e continuar passeando por Avola. Loretto estava na garupa da minha bicicleta e viu, sob um montoado de folhas secas, um pedacinho da pele. “Para, para a bicicleta!”. Desceu correndo e pegou. Era gigante, estava quase intacta. Uau! Incrível! Daí, guardamos em uma garrafa plástics vazia para não estragar na bagagem. Amassou um pouco, rasgou outro pouco, mas deu para trazer quase completa e colocar neste porta-retrato. Volta e meia, Loretto abre para brincar com ela. A cobra deve estar por lá ainda, largando a pele para outros meninos curiosos pegarem.

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A história dessa aranha é linda demais e só está no começo. O Lanfranco Tronconi a criou por quinze anos e essa pele aí é de quando ela tinha 10 anos. O Lanfranco guardou, guardou, guardou, guardou a pele por muito tempo. Hoje ele é biólogo e trabalha no Instituto Butantã. E é pai da Isabelinha, que estudava com o Loretto até 2011. Quando o Loretto soube que o pai da Isabelinha era biólogo e, ainda por cima, trabalhava no Butantã, queria encontrar com ele em todas as festas para mostrar seus livros, seus besouros… Um dia, o Lanfranco deu a pele da aranha para o Loretto, que a guarda como se fosse um tesouro na caixinha de acrílico. E prometeu guardar para sempre e só dar para alguém quando ficar muito muito muuito velhinho e, ainda assim, só se esse outro alguém gostar de bicho tanto ou mais do que ele.

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A gente já sabia que o Bicho-pau ia soltar a pele. Mas no dia em que aconteceu, nossa… foi demais! Acordamos e, como de costume, fomos lá dar uma olhadinha nos casais de bicho-pau. A pele estava lá, em pé, transparente, como se fosse um bicho-pau fantasma. Era tão impressionante. Era a pele de uma das fêmeas. Ela parecia remoçada, mais clara, mais feliz sem a pele velha. Saiu tudo, até a antena. O Loretto tirou a pele da gaiola e a gente decidiu mandar emoldurar. Com o vidro ela ficou assim, plana. Quando houver nova troca de pele de bicho-pau por aqui, eu fotografo ela antes de colocar no vidro. O Emiliano, biólogo da USP que presenteou o Loretto com os insetos, disse que outras peles sairão. Eba!

E a gente fica pensando: será que dói quando as peles das cobras, aranhas e bicho-pau saem? O que será que eles sentem? Será que a primeira troca de pele é igual a queda do primeiro dente de leite? Tudo questão de pele…

Habemus Bicho-Pau!!!

4 Set

Loretto segura uma das fêmeas do seu primeiro casal de Bicho-Pau

Dois casais! Dois casais de bicho-pau morando na nossa varanda. É mais um sonho do Loretto que se realiza. Aconteceu tudo muito rápido: o Nilbberth convidou-me para o seu aniversário. No meio da tarde, disse que o seu grande amigo Emiliano estaria lá. Emiliano vem a ser um biólogo recém-doutorado pela USP em…digestão de Bicho-Pau! Putz grila… Em duas horas, estava tudo acertado. À noite, na pizzaria Kadaloro, na Corifeu, Emiliano levou uma caixa com quatro insetos e o Loretto levou o seu insetário.

Emiliano ensinou como cuidar dos bichos. Como eles são bem grandes (as fêmeas têm cerca de 25 cm!), tive que comprar uma gaiola enorme…e minha mãe está fazendo uma capa de tule (porque os machos são menores e podem escapar pela grade). Bicho-pau come folha de goiabeira. Mas não é para colocar a folha lá dentro da gaiola. Precisa pegar um galho, limpar as folhas (porque aqui em São Paulo a poluição fica impregnada nelas) e deixar o galho dentro de uma garrafinha com água. Assim, um galho grande deve dar para alimentar os insetos por uma semana. Todo dia, sobretudo nesse tempo seco, é preciso borrifar água nos bichos. E a cada dois dias, limpar o cocô. Enfim, é o nosso bicho de estimação e como todo bicho de estimação, dá trabalho. O Loretto se comprometeu a cuidar.

Ontem, o Loretto nem queria dormir. Hoje, quando acordou, pensou que tivesse sido um sonho e, quando viu o insetário na sala, respirou aliviado. Escreveu os dois bilhetes abaixo e deixou para mim. O primeiro serviu para reafirmar, para ele mesmo, mais uma grande conquista na sua vida. Uma criação de Bicho-Paus!

Ao acordar e ver que não tinha sido um sonho, Loretto escreveu esse bilhete

E agora que ele aprendeu a escrever bilhetes de agradecimento, deixou esse para mim (ou talvez para o Nilbberth, ou talvez para o Emiliano…)

Olha o Nilbberth (levantando) e o Emiliano à direita. Ao fundo, outros amigos queridos

Uma viagem ao País das Formigas, com Menotti del Picchia

23 Ago

Que legal reencontrar vocês, Pé-de-Moleque e João Peralta!“Procuram-se pais que revisitaram com seus filhos destinos que marcaram sua infância. ” Oba, oba! Chama eu! Eu e o Loretto estamos em viagem ao País das Formigas, lugar sensacional, que eu e meus irmãos conhecemos há mais de 30 anos.  Tá certo que não é bem isso que a Ana Orlandi, minha amiga jornalista, está procurando para a sua reportagem. Ela quer destinos reais… Mas… Bem, o País das Formigas existe… Ao menos, nunca se apagou da minha cabeça. E, pelos olhos brilhantes do Loretto a cada noite, está existindo para ele também.

O livro do Menotti del Picchia não é uma leitura qualquer para mim. É A LEITURA da minha vida. Este é o livro que me fez virar leitora… Em 1977 minha mãe comprou esse livro. Acho que a professora do meu irmão mais velho indicou. Eu tinha quatro anos. Meu irmão mais velho tinha nove e meu irmão do meio, 8. Minha mãe decidiu que leria para a gente, toda noite, um pedacinho. Era um evento. A gente se reunia na sala. Quando o livro acabou, eu decidi que queria aprender a ler o quanto antes, imediatamente. Eu precisava voltar por conta própria e sozinha ao País das Formigas.  E voltei (reli) umas duas vezes.

Agora, tanto tempo depois, estou no meio da viagem com o Loretto. Talvez, para ele, não seja tão marcante como foi para mim. Mas ele está empolgado: se dependesse da vontade do Loretto, o livro inteiro seria lido de uma só vez (estou fazendo em poucos capítulos por dia…acho que para reproduzir o suspense que minha mãe imprimiu na gente quando nos leu…). E é o mesmo livro, aquela edição da Ediouro, com folhas que se soltam. Para o Loretto, melhor ainda, pois ele gosta mesmo é de livros velhos…

Viva João Peralta! Viva de Pé-de-Moleque! os dois foram meus amigos de infância e, agora, brincam com o Loretto. Fazem um belo trio esses três!

No capítulo que lemos ontem, a Rainha das Formigas convidou os dois meninos para um grande evento

Aranha disfarçada de cocô, aranha pavão e outras aventuras no Butantan

29 Jan

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Pense bem: é genial que uma aranha se disfarce de cocô. O mosquito vai lá, contente de ter achado uma bela merda, e pluft!, nem tem tempo de saber o que o devorou. Loretto aprendeu sobre as aranhas cocô na programação de férias no Instituto Butantan. Ele também viu a pequeninha aranha pavão que levanta a “cauda” para conquistar parceiro. Como falei para ele, aparência é tudo. E nem estou me referindo à beleza. Feio ou bonito, o que importa é saber usar em seu favor aquilo que a natureza deu…

Na foto acima, clicada por Camilla Marques de Carvalho, Loretto aparece concentrado na contação de história que também aconteceu na Programação Fim da Picada, do Instituto Butantan. Abaixo, as fotos da Aranha Cocô (Phrynarachne sp) – em foto do blog Bocaberta – e a Aranha Pavão (Maratus volans) – em foto do blog Rainha Vermelha.

Ah, sim, o Record News e o SP TV estiveram por lá filmando e o Loretto apareceu rapidinho nas reportagens:

Reportagem Record News
Reportagem SPTV

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Cuidado! Não é um pedaço de quebra-queixo…

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O desenho da cauda é meio rupestre, não?