Loretto quer morar na casa dos avós

26 Jul

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Na casa dos meus pais, nunca existiu “hora de dormir” ou “coma tudo” ou “deixa eu ver sua lição”. Sei lá como, eu e meus irmão regulávamos a nossa vida e tudo deu certo para a gente. Meu pai foi taxista e minha mãe não trabalhava fora – então, não havia horários, nem pressão do chefe em cima deles, meu pai nunca foi (felizmente!) um taxista ambicioso e trabalhava só o tempo necessário para termos uma vida normal, não tínhamos dinheiro, nem plano de saúde, nem escola particular, mas tínhamos nossos pais sempre ao nosso lado, almoçávamos juntos, meu pai nos levava onde queríamos, minha mãe fazia nossas roupas. E é assim até hoje – eles topam qualquer viagem, qualquer festa, qualquer coisa. Daí, nessas férias, Loretto quis passar quinze dias na casa deles. E descobriu um mundo novo!

Ele passou quinze dias brincando com Osvaldo e Isaura. Passou quinze dias comendo Bis, pipoca, bolo, tomando café (puro e forte, como ama)… Passou quinze dias vendo Carrossel, dormindo a hora que dava sono… Passou quinze dias lembrando só às vezes de passar fio dental… Passou quinze dias sem regras, de férias.

Voltou e a primeira coisa que fez foi me mostrar na folhinha que faltam 4 meses para dezembro, próximas férias. A segunda foi falar: “Mas acho que o que eu queria mesmo era morar lá”. Eu sei o que ele sente. Eu morei lá. O mundo cheio de regras é uma porcaria. E a casa dos meus pais parece ser o último reduto da liberdade e do respeito pelas escolhas individuais, mesmo das crianças. No dia dos avós, Osvaldo e Isaura, parabéns! Vocês são incríveis!

Lá em cima, uma foto do dia em que o Loretto fez 3 anos. Era meio de semana, mas meus pais foram lá em casa ficar com ele.

2 Respostas to “Loretto quer morar na casa dos avós”

  1. Jaqueline Sampaio 26 de Julho de 2012 às 12:56 #

    Li, emocionada, este relato sincero… Obrigada pelo oásis temporário. Eu também quero morar com os avós do Loretto.

    • marcinhacarini 26 de Julho de 2012 às 13:00 #

      Que bacana, Jaqueline! É verdade: poucas pessoas cuidam da liberdade. Quando éramos crianças, lembro de um tio dizer à minha mãe: “Seus filhos são ótimos, mas, como pedras brutas, precisam de lapidação…”. Lapidação? Pois é…o mundo lapida demais e gera pessoas tristes. Acho que dei muita sorte de ter nascido aí nessa casa.

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